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barulho de fundo

quem tem alma não tem calma.

barulho de fundo

quem tem alma não tem calma.

20.11.25

As pessoas dão o que são.

E a mais não serão obrigadas?!

  Verdade definitiva, com um ar de sentença final. Como se fechasse todas as perguntas que ficaram sem resposta. As pessoas dão o que são. Uma frase que parece simples. Quase óbvia. Mas dentro dela há um mecanismo curioso: alivia-nos e responsabiliza-nos ao mesmo tempo. É confortável, quase macio. Agrada à nossa necessidade de fechar temas sem mexer demasiado no desconforto.   Mas vale a pena olhar mais de (...)
10.10.25

A felicidade do "quase"

    Gostamos do que está feito. O objectivo cumprido. Ir riscando a lista. O troféu do fazer-fazer. Há uma obsessão por chegar. Por concluir. Por estar lá. Mas o lá tem um problema. Costuma durar pouco. É o golo final do café, aquele que prometia o sabor perfeito, mas que já vem frio. É a fotografia tirada depois de meses e que não diz nada sobre o vazio de ter atingido o resultado. É a meta atingida. A casa decorada. O amor oficial.   O láé o fim. E o fim, por mais (...)
08.10.25

Não devemos poupar na realidade,

só nas palavras

  Há quem confunda tacto com omissão. Acha que ser cuidadoso é falar pouco. Esconder. Cortar pela metade. Como se a verdade fosse um bisturi e o silêncio, um penso rápido. Mas é o contrário. Poupar na realidade é empobrecer as relações. O que fere não é a verdade. É a forma como a atiramos.   Explicar é respeito. É o meio-termo entre o silêncio amedrontado e a franqueza em bruto. Andamos a fazer economia emocional. Como se cada conversa fosse uma factura. Mas o que (...)
06.10.25

O lugar vago na mesa,

o que acontece quando deixamos de aparecer.

  Há uma espécie de lei que rege as relações humanas. Se deixas de aparecer, deixas de existir no mapa mental dos outros. Não é maldade. Nem conspiração. É geometria. Quem não ocupa espaço, perde forma.   No início, estranha-se. Na semana seguinte, repete-se a ausência. Na terceira, já ninguém pergunta. Não porque não gostem de nós, mas porque a vida preenche os vazios com outras presenças. É como numa mesa posta, se um lugar fica vazio, ao fim de algum tempo já (...)
27.09.25

Quando for grande quero ser leitora

  Quando eu era criança, perguntavam-me o que queria ser quando crescesse. Houve uma fase em que disse astronauta. Outra em que quis ser mãe de sete filhos. E também houve o momento em que considerei seriamente ser patinadora. Mas havia uma resposta que nunca dei. Achava que não era legítima. Quando for grande quero ser leitora.   Não quero ser escritora, nem professora, não quero ser editora. Só ler. Ler como se lê um pão quente. Como se bebe água quando se tem sede. Como (...)
25.09.25

PALOP,

a porta de vidro que nos separa

  Há quem pense que emigrar começa no aeroporto. Que a aventura começa no adeus à família, no passaporte carimbado, no embarque para uma vida nova. Mas, na verdade, para muitos jovens dos PALOP, a verdadeira fronteira não é geográfica. É administrativa, silenciosa e tantas vezes invisível. A embaixada é o primeiro muro.   Não há sirenes. Nem (...)
23.09.25

Que o cancro morra de cancro

  Porque é que o cancro não se vai embora. Não é um inimigo externo que um dia vamos erradicar com uma única vacina. Não é uma praga que se espalhou na humanidade e que, eliminada a fonte, desaparecerá do mapa. O cancro nasce de dentro. Do próprio corpo. Das mesmas engrenagens que nos mantêm vivos. E é por isso que não se vai embora.   As células que o originam não são invasoras. São as nossas. O que muda é a forma como quebram as regras. Se o corpo é uma cidade, o (...)
19.09.25

Refugiados,

quem são quando deixamos de os ver como vítimas.

    Há um erro recorrente na forma como falamos de refugiados. O de os tratarmos exclusivamente como vítimas. Sempre com o mesmo enquadramento. Fuga. Barcos. Tendas. Desespero. Um retrato com utilidade mediática, mas redutor. Congela pessoas complexas num instante de fragilidade. E pior. Esgota rapidamente a empatia pública. Quando alguém é apenas um problema, a tendência é querer afastá-lo.   Os refugiados não são pessoas a quem lhes falta algo. São pessoas que (...)
15.09.25

Uma questão de sabedoria,

Simone de Oliveira na Vogue.

  Simone de Oliveira está na capa da Vogue. Com uma elegância esmagadora. De quem viveu. Sentiu. Sofreu. Brilhou. E continua de pé. Com rugas. Marcas. Autenticidade. Sem precisar de se mascarar para ser eterna.    Vivemos tempos estranhos. Mães a quererem parecer filhas. Filtros a esconderem rugas. Cirurgias a padronizarem rostos. Redes Sociais a venderem um ideal de perfeição que não existe. [nem se devia querer] O resultado é pressão psicológica. Sobretudo sobre as (...)
12.09.25

Procurar fora antes de olhar para dentro,

errado.

É um reflexo automático que carregamos na ponta dos dedos. Procurar fora antes de olhar para dentro. Queremos mudar de trabalho? O primeiro impulso é espreitar as ofertas que pipocam nos motores de busca. Nunca nos perguntamos: E se eu reinventasse a forma como trabalho aqui, neste mesmo lugar? Será mesmo necessário trocar de paredes, ou basta trocar de abordagem?   O mesmo se repete em escalas menores e mais subtis. Precisamos de alguém para um novo cargo? Abrimos logo a vaga. (...)