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barulho de fundo

quem tem alma não tem calma.

barulho de fundo

quem tem alma não tem calma.

22.10.25

O curto prazo,

vício e salvação.

  Vivemos a prazo. Não a longo. O outro, o curto. O imediatista. O que promete alívio instantâneo e esquecimento rápido. Vivemos a curto prazo. E o curto prazo é o café da manhã da alma moderna. Desperta. Resolve. Mas não alimenta.   Aprendemos a funcionar em agoras. A comprar porque sim, a desistir porque não. E não é sempre defeito. Às vezes é a única forma de não enlouquecermos num mundo que pede check-lists para sentimentos e prazos para o entusiasmo.   Pensar a (...)
06.10.25

O lugar vago na mesa,

o que acontece quando deixamos de aparecer.

  Há uma espécie de lei que rege as relações humanas. Se deixas de aparecer, deixas de existir no mapa mental dos outros. Não é maldade. Nem conspiração. É geometria. Quem não ocupa espaço, perde forma.   No início, estranha-se. Na semana seguinte, repete-se a ausência. Na terceira, já ninguém pergunta. Não porque não gostem de nós, mas porque a vida preenche os vazios com outras presenças. É como numa mesa posta, se um lugar fica vazio, ao fim de algum tempo já (...)
29.09.25

Normalidade,

não sabemos o que fazer com ela.

  Ainda é Setembro. As ruas ainda cheiram a férias interrompidas. As mochilas ainda rangem de novo. O calor durante o dia insiste em não arredar pé. Mas já estamos a falar da Black Friday. Já há anúncios de Natal embrulhados em Setembro. Já há quem marque ceias e troque mensagens sobre o que vai ser este ano. Estamos constantemente a atropelar o presente, como se ele fosse apenas o caminho para o próximo evento.   Vivemos em agenda. É como se tivéssemos assimilado o (...)
25.09.25

PALOP,

a porta de vidro que nos separa

  Há quem pense que emigrar começa no aeroporto. Que a aventura começa no adeus à família, no passaporte carimbado, no embarque para uma vida nova. Mas, na verdade, para muitos jovens dos PALOP, a verdadeira fronteira não é geográfica. É administrativa, silenciosa e tantas vezes invisível. A embaixada é o primeiro muro.   Não há sirenes. Nem (...)
24.09.25

Voyeurismo,

o ofício de espreitar

    Espreitar deixou de ser um acto furtivo. É uma rotina social. Não é preciso um buraco na parede nem cortinados mal fechados. Basta deslizar o dedo no ecrã. O voyeurismo já não é um desvio. É um exercício quotidiano com selo de normalidade. O curioso é que o condenamos em teoria. É feio admitirmos que gostamos de espreitar. Mas na prática fazemos dele um hábito tão banal quanto beber um café.   Porque espreitamos? A resposta é menos romântica do que gostaríamos. (...)
22.09.25

Pedimos ao cirurgião para ser mais rápido na operação?

  Temos pressa de tudo. Pressa de sair de casa. De chegar ao trabalho. Responder ao e-mail. Acabar a reunião. Almoçar. Pagar a conta. Regressar. Pressa de fazer. De concluir. Estamos sempre a funcionar como se houvesse um cronómetro a marcar-nos os segundos. E a sensação é sempre a mesma. Já estamos atrasados. Só que, na maior parte das vezes, não estamos. É apenas uma ilusão. Repetida tantas vezes que passámos a acreditar nela.   A pressa tornou-se vício. Um reflexo (...)
20.09.25

Os vícios são a cura para tudo,

menos para o vícios.

Diz-se que o álcool cura tudo, menos o alcoolismo. A frase serve de bússola para pensar num fenómeno maior. Os vícios em geral. Aquilo que parece anestesiar, é precisamente o que se torna a própria doença. E nunca estivemos tão mergulhados em vícios de fachada terapêutica como hoje.   O telemóvel. Um objecto que prometeu aproximação, mas que nos mantém em perpétua sede. Cada notificação é um golorápido. Não mata a sede. Estimula outra. Fingimos que é companhia. (...)
18.09.25

Sentir compaixão pelos próprios erros,

é praticável.

  Sentirmos compaixão pelos próprios erros parece óbvio. Mas não é. A compaixão pelo próprio erro não é propriamente um gesto poético. É um exercício concreto.  Duro. Iimplica desmontar a forma como aprendemos a lidar com os nossos erros. Poucos conseguem.   Crescemos a acreditar que errar é falhar. Fomos avaliados em testes escolares. Medidos por notas. Errar significava ficar abaixo da expectativa. Hoje em dia, carregamos essa herança. Quando tropeçamos, accionamos (...)
15.09.25

Uma questão de sabedoria,

Simone de Oliveira na Vogue.

  Simone de Oliveira está na capa da Vogue. Com uma elegância esmagadora. De quem viveu. Sentiu. Sofreu. Brilhou. E continua de pé. Com rugas. Marcas. Autenticidade. Sem precisar de se mascarar para ser eterna.    Vivemos tempos estranhos. Mães a quererem parecer filhas. Filtros a esconderem rugas. Cirurgias a padronizarem rostos. Redes Sociais a venderem um ideal de perfeição que não existe. [nem se devia querer] O resultado é pressão psicológica. Sobretudo sobre as (...)
12.09.25

Procurar fora antes de olhar para dentro,

errado.

É um reflexo automático que carregamos na ponta dos dedos. Procurar fora antes de olhar para dentro. Queremos mudar de trabalho? O primeiro impulso é espreitar as ofertas que pipocam nos motores de busca. Nunca nos perguntamos: E se eu reinventasse a forma como trabalho aqui, neste mesmo lugar? Será mesmo necessário trocar de paredes, ou basta trocar de abordagem?   O mesmo se repete em escalas menores e mais subtis. Precisamos de alguém para um novo cargo? Abrimos logo a vaga. (...)