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barulho de fundo

quem tem alma não tem calma.

barulho de fundo

quem tem alma não tem calma.

07.10.25

As chaminés de Sines,

que eram mais do que as chaminés de Sines.

Durante anos, as chaminés de Sines cresceram connosco. Firmes. Quase arrogantes. A cortar o céu como quem marca território. Eram o primeiro sinal de que estávamos a chegar. O marco que indicava que daqui para a frente é mar. Não eram bonitas num sentido romântico, mas tinham presença. Daquela que se impõem.   Agora, o horizonte está limpo. Limpo demais. Fica um vazio estranho, como quando alguém muda um móvel de lugar e o corpo ainda tenta desviar-se dele ao passar. As (...)
29.09.25

Normalidade,

não sabemos o que fazer com ela.

  Ainda é Setembro. As ruas ainda cheiram a férias interrompidas. As mochilas ainda rangem de novo. O calor durante o dia insiste em não arredar pé. Mas já estamos a falar da Black Friday. Já há anúncios de Natal embrulhados em Setembro. Já há quem marque ceias e troque mensagens sobre o que vai ser este ano. Estamos constantemente a atropelar o presente, como se ele fosse apenas o caminho para o próximo evento.   Vivemos em agenda. É como se tivéssemos assimilado o (...)
27.09.25

Quando for grande quero ser leitora

  Quando eu era criança, perguntavam-me o que queria ser quando crescesse. Houve uma fase em que disse astronauta. Outra em que quis ser mãe de sete filhos. E também houve o momento em que considerei seriamente ser patinadora. Mas havia uma resposta que nunca dei. Achava que não era legítima. Quando for grande quero ser leitora.   Não quero ser escritora, nem professora, não quero ser editora. Só ler. Ler como se lê um pão quente. Como se bebe água quando se tem sede. Como (...)
25.09.25

PALOP,

a porta de vidro que nos separa

  Há quem pense que emigrar começa no aeroporto. Que a aventura começa no adeus à família, no passaporte carimbado, no embarque para uma vida nova. Mas, na verdade, para muitos jovens dos PALOP, a verdadeira fronteira não é geográfica. É administrativa, silenciosa e tantas vezes invisível. A embaixada é o primeiro muro.   Não há sirenes. Nem (...)
18.09.25

Sentir compaixão pelos próprios erros,

é praticável.

  Sentirmos compaixão pelos próprios erros parece óbvio. Mas não é. A compaixão pelo próprio erro não é propriamente um gesto poético. É um exercício concreto.  Duro. Iimplica desmontar a forma como aprendemos a lidar com os nossos erros. Poucos conseguem.   Crescemos a acreditar que errar é falhar. Fomos avaliados em testes escolares. Medidos por notas. Errar significava ficar abaixo da expectativa. Hoje em dia, carregamos essa herança. Quando tropeçamos, accionamos (...)
17.09.25

Quando o sonho já nos está a fazer reagir

  Sonhar é bonito. Inofensivo. Como se fosse um passatempo da mente. Uma distracção de fim de dia. Mas a verdade é que quando queremos alguma coisa a sério, esse desejo deixa de ser um quadro na parede e passa a ser um personal trainer. Sem darmos por isso, começamos a alinhar gestos, decisões e cada músculo mental para estarmos prontos no dia em que a oportunidade bater à porta.   Será magia? Será sorte? Magia não é certamente. E a sorte não bate assim. Quem sonha com (...)
16.09.25

Liberdade de expressão,

a mais.

  Fala-se da liberdade de expressão como se fosse um troféu da modernidade. Um prémio conquistado depois de séculos de censura. E é. Mas ninguém nos avisou do que aconteceria quando todos pudessemos falar ao mesmo tempo. Sem limite. Sem filtro. Sem hierarquia. E o que era para ser um direito conquistado, transformou-se num campo de batalha onde cada voz procura esmagar as outras.    A vantagem óbvia da liberdade de expressão está no poder de denunciar abusos. De dar palco ao m (...)
15.09.25

Uma questão de sabedoria,

Simone de Oliveira na Vogue.

  Simone de Oliveira está na capa da Vogue. Com uma elegância esmagadora. De quem viveu. Sentiu. Sofreu. Brilhou. E continua de pé. Com rugas. Marcas. Autenticidade. Sem precisar de se mascarar para ser eterna.    Vivemos tempos estranhos. Mães a quererem parecer filhas. Filtros a esconderem rugas. Cirurgias a padronizarem rostos. Redes Sociais a venderem um ideal de perfeição que não existe. [nem se devia querer] O resultado é pressão psicológica. Sobretudo sobre as (...)
12.09.25

Procurar fora antes de olhar para dentro,

errado.

É um reflexo automático que carregamos na ponta dos dedos. Procurar fora antes de olhar para dentro. Queremos mudar de trabalho? O primeiro impulso é espreitar as ofertas que pipocam nos motores de busca. Nunca nos perguntamos: E se eu reinventasse a forma como trabalho aqui, neste mesmo lugar? Será mesmo necessário trocar de paredes, ou basta trocar de abordagem?   O mesmo se repete em escalas menores e mais subtis. Precisamos de alguém para um novo cargo? Abrimos logo a vaga. (...)
11.09.25

Setembro,

outra vez...

  Setembro é aquele mês que entra de rompante. Como se alguém abrisse as janelas de manhã e decidisse que já chega de ar abafado. Não é bem um começo. Também não é um fim. É aquele intervalo em que se percebe que não dá para continuar em piloto automático. A rotina regressa. Há que fazer ajustes.   Adoro recomeços. Mas não aqueles cheios de promessas desmedidas. Adoro os recomeços domésticos. Os mais silenciosos. Abrir o armário e decidir que metade da roupa já (...)